A Independência do Brasil, proclamada em 7 de setembro de 1822, não foi um evento isolado ou apenas a vontade de um monarca. Ela foi o resultado de um longo processo de articulação política, onde a Maçonaria Regular desempenhou o papel de verdadeira "espinha dorsal" do movimento emancipacionista.
O Contexto: As Cortes de Lisboa e o Descontentamento
Após a volta de D. João VI para Portugal em 1821, as Cortes Lisbonenses (o parlamento português) tentaram reverter o status do Brasil, exigindo a volta de D. Pedro para Lisboa e a revogação dos decretos que elevavam o Brasil a Reino Unido.
No Rio de Janeiro, o clima era de insurreição. Os maçons, organizados em Lojas como a "Comércio e Artes" e a "União e Tranquilidade", começaram a redigir petições e a organizar manifestações para exigir a permanência do Príncipe Regente.
A Articulação Maçônica: José Bonifácio e Gonçalves Ledo
Dois nomes se destacaram na condução maçônica do processo:
- José Bonifácio de Andrada e Silva: O "Patriarca da Independência", maçom de alto grau intelectual, que articulou o apoio das províncias de São Paulo e Minas Gerais.
- Gonçalves Ledo: Líder da facção mais popular e democrática dentro da Maçonaria fluminense, responsável por mobilizar as camadas médias da sociedade carioca através de jornais e panfletos.
Foi em uma reunião conjunta dessas Lojas que se decidiu pela criação de uma grande petição a D. Pedro, a "Representação da Casa de São José", que reuniu mais de 8.000 assinaturas em poucos dias, exigindo a permanência do Príncipe.
O "Dia do Fico" e a Fundação do GOB
A pressão popular, orquestrada em grande parte pelos maçons, culminou no famoso "Dia do Fico" (9 de janeiro de 1822), quando D. Pedro I respondeu ao emissário das Cortes: "Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico".
Seis meses depois, em 17 de junho de 1822, foi fundado o Grande Oriente do Brasil, com o objetivo explícito de "trabalhar pela independência e consolidação do Império". José Bonifácio foi eleito seu primeiro Grão-Mestre.
A Consolidação da Regularidade
Após a Independência, a Maçonaria brasileira manteve-se ativa, embora tenha enfrentado períodos de turbulência durante o Primeiro Reinado, quando D. Pedro I dissolveu a Assembleia Constituinte (da qual muitos maçons faziam parte). A Maçonaria no Brasil consolidou-se como uma instituição de pensamento crítico e de defesa das liberdades civis, papel que mantém até os dias de hoje sob a égide das Potências Regulares.