Maçonaria no Brasil

A história e presença da Maçonaria Regular no Brasil: das primeiras lojas coloniais à Independência, ao papel na abolição da escravatura e ao panorama atual das grandes lojas brasileiras.

Atualizado em: 24 de julho de 2026

A Chegada da Maçonaria ao Brasil

As ideias maçônicas entraram no Brasil pelas mãos de estudantes que voltavam da Europa, de comerciantes estrangeiros e de oficiais que circulavam pelos portos do Atlântico. No fim do século XVIII e nas primeiras décadas do XIX, grupos influenciados pelo iluminismo se reuniam em sociedades discretas no Rio de Janeiro, na Bahia e em Pernambuco, num ambiente em que a Coroa portuguesa vigiava qualquer associação suspeita de ideias liberais.

O marco institucional veio em 17 de junho de 1822: três lojas cariocas (Comércio e Artes, União e Tranquilidade e Esperança de Niterói) fundaram o Grande Oriente do Brasil, a primeira potência maçônica do país. José Bonifácio de Andrada e Silva foi eleito Grão-Mestre no momento exato em que a separação de Portugal se tornava inevitável.

Maçonaria e Independência

Poucos episódios da história nacional têm ligação tão direta com a fraternidade. Joaquim Gonçalves Ledo, um dos fundadores do Grande Oriente, articulou o movimento que levou ao Sete de Setembro. O próprio D. Pedro foi iniciado em 1822, adotou o nome simbólico de Guatimozim e chegou ao Grão-Mestrado em outubro daquele ano, antes de mandar suspender as atividades maçônicas quando a disputa política interna se acirrou.

Ao longo do Império, maçons estiveram nos dois lados de quase todos os debates públicos. A chamada Questão Religiosa da década de 1870, quando bispos proibiram irmandades católicas de aceitar maçons e acabaram presos pelo governo imperial, mostrou o peso político da instituição. Nas décadas seguintes, nomes ligados às lojas participaram das campanhas pela abolição e pela República.

As Três Vertentes da Maçonaria Brasileira

Quem pesquisa a Maçonaria no Brasil encontra três famílias de potências regulares, resultado de dois momentos de reorganização:

  • Grande Oriente do Brasil (GOB): a potência histórica de 1822, com Grandes Orientes estaduais federados e lojas em todo o país
  • Grandes Lojas estaduais: nascidas da cisão de 1927, uma por estado, reunidas na Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil (CMSB)
  • Grandes Orientes independentes: potências estaduais autônomas que, a partir de 1973, formaram a Confederação Maçônica do Brasil (COMAB)

As três vertentes praticam os mesmos três graus simbólicos e os mesmos ritos principais. As diferenças estão na estrutura administrativa e nos tratados de reconhecimento que cada uma mantém com potências estrangeiras. Boa parte das Grandes Lojas estaduais possui reconhecimento da Grande Loja Unida da Inglaterra; o GOB mantém sua própria rede histórica de tratados. Antes de bater à porta de uma loja, vale conferir como verificar a regularidade da potência à qual ela pertence.

A Maçonaria Brasileira em Números

O Brasil abriga uma das maiores comunidades maçônicas do mundo. Somadas as três vertentes, as estimativas divulgadas pelas próprias potências apontam para a casa de milhares de lojas e algumas centenas de milhares de membros ativos, com presença em praticamente todos os municípios de médio porte. O interior de estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul concentra redes de lojas quase centenárias.

Os ritos mais praticados são o Escocês Antigo e Aceito, majoritário, seguido do Rito de York, do Schröder, do Brasileiro e do Adonhiramita. A estrutura de graus, cargos e sessões segue o padrão descrito no guia de organização maçônica.

Brasileiros Notáveis nas Lojas

A lista de maçons brasileiros documentados atravessa a história do país: José Bonifácio, Gonçalves Ledo e D. Pedro I na geração da Independência; Deodoro da Fonseca, primeiro presidente da República; o Barão do Rio Branco, patrono da diplomacia; Campos Sales e outros presidentes da República Velha. Em cada caso citado por este portal, a filiação consta de registros de loja ou de biografias de referência. Nomes sem comprovação documental ficam de fora, por mais repetidos que sejam na internet.

A Maçonaria Brasileira Hoje

O maçom brasileiro típico de hoje é um homem adulto, de qualquer profissão e religião, que dedica uma noite por semana à loja. As potências mantêm campanhas permanentes de doação de sangue, apoio a hospitais e asilos, bolsas de estudo e ações locais de assistência, quase sempre sem publicidade. O panorama das discussões atuais da fraternidade, da transparência ao uso da internet, está em Maçonaria Hoje.

Para entender os critérios que fazem uma loja brasileira ser reconhecida no exterior, o ponto de partida é o guia completo da Maçonaria Regular. E quem quer dar o primeiro passo encontra o caminho em como ingressar na Maçonaria.