A Maçonaria reuniu, ao longo de três séculos, alguns dos homens mais influentes da civilização ocidental. De presidentes a compositores, de cientistas a revolucionários — a lista de maçons históricos famosos é impressionante não apenas pelo tamanho, mas pela diversidade de campos em que esses homens atuaram.

Esta lista apresenta 30 figuras históricas confirmadas como maçons, organizadas por área de atuação.

Nota metodológica: Existem inúmeras figuras historicamente atribuídas à Maçonaria sem documentação sólida. Esta lista inclui apenas personalidades com evidência documentada de filiação maçônica.


Líderes Políticos e Estadistas

1. George Washington (1732–1799)

Primeiro presidente dos EUA e Comandante-Chefe do Exército Continental durante a Revolução Americana. Washington foi iniciado na Loja Fredericksburg em 1752 e era frequentador assíduo das lojas da Virginia. Em seu discurso de posse, prestou juramento sobre a Bíblia maçônica da Loja Saint John nº 1 de Nova York — uma tradição mantida por muitos presidentes americanos.

2. Benjamin Franklin (1706–1790)

Cientista, inventor, filósofo e um dos principais Pais Fundadores dos EUA. Franklin tornou-se Grão-Mestre da Grande Loja da Pensilvânia em 1734 e foi representante americano em Paris — onde frequentou as mais influentes lojas francesas e conheceu Voltaire. Franklin viu na Maçonaria um modelo prático de suas convicções iluministas.

3. José Bonifácio de Andrada e Silva (1763–1838)

O Patriarca da Independência do Brasil foi um dos maçons mais influentes da história latino-americana. Atuou como Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil em 1822 e foi o principal articulador político da independência. Sua visão de um Brasil unificado e livre da dominação portuguesa foi defendida, em parte, nas lojas maçônicas do Rio de Janeiro.

4. Dom Pedro I (1798–1834)

Primeiro imperador do Brasil, Dom Pedro I foi iniciado na Maçonaria e chegou a presidir o Grande Oriente do Brasil por período breve após a independência. A proximidade com José Bonifácio e com a rede maçônica foi importante no processo que culminou no "Fico" e na Proclamação da Independência.

5. Simón Bolívar (1783–1830)

O Libertador da América do Sul foi iniciado na Maçonaria em Cádiz, Espanha, em 1803. Ao longo de sua carreira militar e política, Bolívar usou as redes maçônicas para articular apoio à independência das colônias espanholas. A influência maçônica em seu pensamento liberal e republicano é amplamente documentada.

6. Getúlio Vargas (1882–1954)

O presidente brasileiro que dominou a política nacional por mais de duas décadas é tradicionalmente citado como maçom, embora a documentação de sua filiação seja menos sólida que a de outros nomes desta lista. A menção é relevante no contexto de um período em que a Maçonaria e a política se entrelaçavam no Brasil.

7. Winston Churchill (1874–1965)

O primeiro-ministro britânico que liderou a resistência à Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial foi iniciado na Studholme Lodge nº 1591, em Londres, em 1901. Churchill é uma figura particularmente significativa: a Maçonaria foi perseguida e proibida pelos nazistas — e ele foi o principal arquiteto da derrota nazista.

8. Franklin D. Roosevelt (1882–1945)

O 32º presidente dos EUA, que conduziu o país pela Grande Depressão e pela Segunda Guerra Mundial, foi iniciado na Maçonaria em 1911. Era membro ativo da Holland Lodge nº 8 em Nova York.


Músicos e Compositores

9. Wolfgang Amadeus Mozart (1756–1791)

Mozart é o maçom mais celebrado da história musical. Iniciado em 1784 na loja "Zur Wohltätigkeit" (À Benevolência) em Viena, ele compôs diversas obras com temas maçônicos explícitos — cantatas para funerais de irmãos, música para cerimônias de loja. Sua ópera A Flauta Mágica (1791) é uma alegoria maçônica: a jornada de Tamino pelas provas de silêncio, coragem e prudência espelha a progressão pelos graus maçônicos.

10. Joseph Haydn (1732–1809)

Iniciado na Maçonaria por influência direta de Mozart, Haydn foi membro ativo de loja em Viena. Sua filiação reflete como a Maçonaria vienense do século XVIII era um espaço de encontro entre os maiores músicos e intelectuais da época.

11. Franz Liszt (1811–1886)

O virtuoso pianista e compositor húngaro manteve conexões documentadas com a Maçonaria ao longo de sua vida, embora os detalhes de sua filiação sejam objeto de debate historiográfico.

12. John Philip Sousa (1854–1932)

O "Rei das Marchas" americano — compositor de The Stars and Stripes Forever — foi maçom dedicado e ocupou cargos em sua loja em Washington D.C. Sousa é um exemplo de como a Maçonaria americana do século XIX era amplamente frequentada por artistas.


Escritores e Poetas

13. Johann Wolfgang von Goethe (1749–1832)

O maior nome da literatura alemã foi iniciado na Maçonaria em 1780 em Weimar. Seu Fausto — a busca obsessiva pelo conhecimento absoluto — tem leituras maçônicas plausíveis. Goethe foi também cientista, filósofo e administrador público: uma figura do polimathismo iluminista que a Maçonaria cultivava.

14. Rudyard Kipling (1865–1936)

O autor de O Livro da Selva e vencedor do Prêmio Nobel de Literatura foi maçom devotado. Kipling escreveu poemas explicitamente maçônicos, incluindo The Mother Lodge — um dos textos mais citados da literatura maçônica anglófona. Para Kipling, a loja era o espaço onde ingleses, indianos, muçulmanos e cristãos se sentavam como iguais.

15. Alexander Pope (1688–1744)

O poeta inglês do período augustano, famoso por The Rape of the Lock e An Essay on Man, foi maçom. Sua filosofia poética — a busca pela razão, ordem e proporção — tem paralelos com os valores maçônicos.

16. Voltaire (1694–1778)

O filósofo e escritor iluminista francês foi iniciado na Maçonaria aos 83 anos, em 1778 — poucos meses antes de morrer — na loja des Neuf Sœurs em Paris, onde Benjamin Franklin também era membro. Benjamin Franklin participou da cerimônia.


Cientistas e Inventores

17. Edward Jenner (1749–1823)

O médico britânico que desenvolveu a primeira vacina — contra a varíola — foi maçom. Sua descoberta salvou centenas de milhões de vidas ao longo dos séculos e representa o tipo de contribuição humanista que a Maçonaria valorizava.

18. Alexander Fleming (1881–1955)

O bacteriologista escocês que descobriu a penicilina — o primeiro antibiótico — foi iniciado na Maçonaria em 1909 na loja Santa Maria em Londres. Fleming recebeu o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1945.

19. Edwin Buzz Aldrin (1930–)

O segundo homem a caminhar na Lua, na missão Apollo 11 em 1969, é maçom. Aldrin é membro da Clear Lake Lodge nº 1417 no Texas e, segundo registros maçônicos americanos, levou consigo um estandarte maçônico na missão.


Militares e Líderes de Independência

20. Marquês de Lafayette (1757–1834)

O nobre francês que lutou pela independência americana ao lado de Washington — e depois liderou a Guarda Nacional durante a Revolução Francesa — foi maçom ativo tanto na França quanto nos EUA.

21. José de San Martín (1778–1850)

O libertador da Argentina, Chile e Peru foi iniciado na Maçonaria em Cádiz. San Martín usou as redes maçônicas para articular o movimento independentista hispano-americano e coordenar com Bolívar.

22. Bernardo O'Higgins (1778–1842)

O libertador do Chile e seu primeiro líder governamental foi maçom iniciado em Inglaterra. Com San Martín, é um dos dois principais articuladores da independência sul-americana com filiação maçônica documentada.


Figuras da Cultura e Entretenimento do Século XX

23. Clark Gable (1901–1960)

O "Rei de Hollywood" foi maçom ativo na California. Sua filiação é representativa de como a Maçonaria era amplamente frequentada por figuras do entretenimento americano na primeira metade do século XX.

24. John Wayne (1907–1979)

O ícone do Western americano foi maçom. Wayne é outro exemplo da presença maçônica na indústria do entretenimento de Hollywood.

25. Nat King Cole (1919–1965)

O cantor e pianista americano foi membro de uma loja em Los Angeles. Em uma era de segregação racial intensa, a Maçonaria — pelo menos em algumas lojas — oferecia espaços de relativa igualdade.


Filósofos e Pensadores

26. Gotthold Ephraim Lessing (1729–1781)

O dramaturgo e filósofo alemão das Luzes — autor de Nathan o Sábio, uma defesa da tolerância religiosa — foi maçom e escreveu um dos textos mais importantes sobre o significado da Maçonaria: Ernst und Falk: Gespräche für Freimaurer (1778).

27. Montesquieu (1689–1755)

O filósofo político francês cujas ideias sobre separação dos poderes influenciaram diretamente a Constituição americana foi iniciado na Maçonaria em Londres durante sua estadia na Inglaterra.


Líderes Religiosos

28. Geoffrey Fisher (1887–1972)

O Arcebispo de Cantuária que presidiu a coroação da Rainha Elizabeth II em 1953 foi maçom. Sua filiação é representativa da coexistência histórica entre a Maçonaria e a Igreja Anglicana na tradição britânica.


Exploradores e Aventureiros

29. Robert Baden-Powell (1857–1941)

O militar britânico que fundou o movimento escoteiro mundial foi maçom. Os valores do escotismo — honra, serviço, fraternidade — têm paralelos evidentes com os ideais maçônicos.

30. Roald Amundsen (1872–1928)

O explorador norueguês que liderou a primeira expedição ao Polo Sul foi maçom. Amundsen é membro de uma lista mais longa de exploradores e aventureiros do século XIX e XX que pertenciam à Ordem.


O Que Esta Lista Revela

A amplitude desta lista — presidentes, compositores, escritores, cientistas, militares — revela algo importante sobre o que foi a Maçonaria historicamente: um espaço de encontro entre homens de diferentes áreas que compartilhavam valores de razão, liberdade e fraternidade.

A Maçonaria não criou esses homens extraordinários. Mas ofereceu a eles um espaço — nos séculos XVIII e XIX especialmente — onde podiam trocar ideias, construir redes de confiança e refletir sobre o que significa construir uma sociedade mais justa.

Para saber mais sobre a Maçonaria Regular — o que ela é e como funciona hoje —, leia o Guia Completo da Maçonaria Regular.