A história da Maçonaria Regular no Brasil confunde-se com a própria formação da nacionalidade. Diferente do que ocorre em alguns países europeus, onde a Ordem consolidou-se em tempos de paz, no Brasil a Maçonaria foi um agente ativo na ruptura com Portugal e na construção do Estado Imperial.

Os Primeiros Registros (1797-1800)

As primeiras evidências documentais da presença maçônica em solo brasileiro datam do final do século XVIII. Em 1797, foi fundada em Salvador (BA) a Loja "União", seguida pela "Loja dos Cavaleiros da Luz" em 1802. Estes núcleos iniciais eram formados por intelectuais, militares e comerciantes influenciados pelos ideais do Iluminismo europeu e pela Revolução Francesa.

Muitas dessas primeiras Lojas enfrentaram a repressão da Coroa Portuguesa, especialmente após a eclosão da Inconfidência Mineira (1789) e da Conjuração Baiana (1798), movimentos onde a participação de indivíduos com ideias liberais e maçônicas foi documentada pelos historiadores.

O Papel na Independência (1822)

O ano de 1822 marca o auge da influência maçônica na política brasileira. José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência, era maçom e utilizou a rede de Lojas do Rio de Janeiro e de São Paulo para articular o apoio das províncias à permanência de D. Pedro I.

Foi em uma reunião maçônica no "Apartamento do Comércio" que se decidiu a estratégia para o "Dia do Fico". Em 17 de junho de 1822, foi fundado o Grande Oriente do Brasil (GOB), com José Bonifácio como primeiro Grão-Mestre, sob o nome maçônico de "Belisário".

A Maçonaria no Período Imperial

Durante o Primeiro e o Segundo Reinado, a Maçonaria brasileira viveu sua "Era de Ouro". Dezenas de Lojas foram fundadas em todas as províncias. A Ordem atuou decisivamente em dois momentos críticos:

  1. A Abolição da Escravidão: A maioria dos parlamentares que votaram pela Lei Áurea (1888) eram maçons.
  2. A Proclamação da República: Embora a Ordem não tenha atuado oficialmente, muitos dos militares e civis que proclamaram a República em 1889 eram membros ativos de Lojas.

A Consolidação das Grandes Lojas

No século XX, a Maçonaria brasileira passou por um processo de reorganização. Além do GOB, surgiram outras Potências regulares, como a Grande Loja Maçônica do Brasil (GLMB) e as Grandes Lojas Estaduais, todas reconhecidas internacionalmente e mantendo a regularidade baseada nos Landmarks e no reconhecimento da Grande Loja Unida da Inglaterra.