Ao pesquisar sobre a Ordem, é comum encontrar referências a uma suposta "Maçonaria Liberal" ou "Adogmática". Para compreender a Maçonaria Regular, é essencial entender por que essa vertente existe e por que ela é considerada irregular pelas Potências tradicionais.
O Grande Cisma de 1877
Até o final do século XIX, a Maçonaria mundial era essencialmente unida em torno dos princípios estabelecidos pelas Constituições de Anderson, que exigiam a crença em um Ser Supremo.
Em 1877, o Grande Oriente da França (GOdF), sob proposta do pastor protestante Frédéric Desmons, alterou sua constituição para remover a referência ao "Grande Arquiteto do Universo" e a exigência da imortalidade da alma. O objetivo era tornar a Ordem totalmente laica e aberta a ateus e materialistas.
A Reação da UGLE e o Rompimento
A Grande Loja Unida da Inglaterra (UGLE), guardiã dos Landmarks, considerou essa alteração uma violação dos princípios imutáveis da Ordem. Em 1878, a UGLE retirou o reconhecimento do GOdF e aconselhou todas as outras Grandes Lojas regulares do mundo a fazerem o mesmo.
Desde então, o mundo maçônico divide-se em duas correntes principais e mutuamente exclusivas:
- A Maçonaria Regular: Que mantém a exigência de crença no GADU e a presença do Volume da Lei Sagrada.
- A Maçonaria Adogmática (ou Liberal): Que aceita a liberdade de consciência absoluta, incluindo o ateísmo, e frequentemente permite a iniciação de mulheres (Maçonaria Mista).
A Posição da Maçonaria Regular
A Maçonaria Regular não considera os maçons adogmáticos como "inimigos", mas como membros de uma organização que, ao alterar os Landmarks, afastou-se da linhagem histórica e simbólica da Ordem. Para um maçom regular, a crença em um Princípio Criador é a base que garante a seriedade dos juramentos prestados no Altar.
O Reconhecimento Mundial
Hoje, as Potências Regulares (como o Grande Oriente do Brasil, a UGLE e as Grandes Lojas dos EUA) mantêm tratados de reconhecimento apenas entre si. Um maçom regular não pode visitar uma Loja adogmática, e vice-versa. Essa separação é a garantia de que a essência espiritual e tradicional da Ordem seja preservada para as futuras gerações.