Se existe um documento que separa a Maçonaria medieval das Lojas organizadas modernas, este documento são as Constituições de Anderson, publicadas em 1723. Elaboradas pelo pastor James Anderson, elas codificaram os costumes orais em um conjunto de regras claras, garantindo a sobrevivência e a expansão da Maçonaria Regular.
O Contexto Histórico
No início do século XVIII, a Maçonaria já havia atraído nobres, cientistas e filósofos (a chamada Maçonaria Especulativa). No entanto, a falta de um regulamento unificado gerava inconsistências entre as Lojas. Em 1721, o Grão-Mestre George Payne ordenou que todas as antigas constituições fossem recolhidas e organizadas. James Anderson foi o escolhido para essa tarefa.
Os Pilares Estabelecidos em 1723
O documento é dividido em duas partes principais: a "História da Maçonaria" e os "Deveres de um Maçom Livre e Aceito". Estes últimos são o coração do texto e estabelecem:
- Deveres para com Deus e a Religião: O maçom deve seguir a moral universal, sendo "homem de bem", independentemente de sua denominação religiosa específica.
- Deveres para com o Estado: Obediência às leis civis, proibição de participar de conspirações contra a paz e o bem-estar da nação.
- Deveres para com a Loja: Lealdade, frequência, pagamento das contribuições e respeito à hierarquia.
- Deveres para com os Irmãos: Ajuda mútua, proteção da honra do irmão e manutenção da harmonia.
O Legado para a Maçonaria Regular
As Constituições de 1723 introduziram um conceito revolucionário para a época: a tolerância religiosa. Ao exigir apenas a crença em um "Grande Arquiteto do Universo", o documento permitiu que homens de diferentes fés (cristãos, judeus e, posteriormente, de outras religiões) sentassem juntos no mesmo Templo. Esse princípio é, até hoje, um dos critérios não negociáveis para o reconhecimento de uma Potência Maçônica Regular.