A suposta ligação entre os Cavaleiros Templários e a Maçonaria Regular é um dos mitos mais persistentes da cultura popular, alimentado por romances de ficção e teorias da conspiração. Do ponto de vista da historiografia séria e dos arquivos maçônicos, essa conexão direta não existe.

A Cronologia dos Fatos

A análise histórica revela um abismo temporal intransponível entre as duas instituições:

  1. A Ordem dos Templários: Fundada por volta de 1119, foi uma ordem militar e religiosa católica. Foi perseguida, julgada e oficialmente extinta pelo Papa Clemente V em 1312. Seu último Grão-Mestre, Jacques de Molay, foi executado em 1314.
  2. A Maçonaria Especulativa: Como documentado em registros civis e eclesiásticos, as primeiras Lojas de maçons "aceitos" (não construtores) surgiram na Escócia e na Inglaterra nos séculos XVI e XVII. A fundação oficial da primeira Grande Loja ocorreu em 1717 em Londres.

Não há nenhum documento, registro de sucessão ou evidência arqueológica que ligue os Templários do século XIV aos maçons do século XVIII.

A Origem do Mito

A associação começou a ganhar força no século XVIII, especialmente na França, com o surgimento dos "Altos Graus" (como o Rito Escocês Retificado). Autores maçônicos da época, buscando dar um ar de nobreza e antiguidade à Ordem, criaram narrativas românticas sugerindo que os Templários fugidos da França teriam se refugiado na Escócia e, secretamente, preservado seus rituais dentro das Lojas de pedreiros.

Essa narrativa é considerada pelos historiadores como uma "lenda de fundação" alegórica, não um fato histórico.

A Posição da Maçonaria Regular

A Maçonaria Regular baseia-se em fatos, nos Landmarks e nas Constituições de Anderson. Embora admire os ideais de coragem e lealdade historicamente associados aos cavaleiros medievais (tanto que existem ordens de cavalaria paramaçônicas que usam essa temática como estudo moral), a Maçonaria Regular não reivindica descendência dos Templários. Sua linhagem é documentada a partir das guildas de construtores medievais e de sua evolução filosófica no Iluminismo.