Uma das perguntas mais frequentes feitas por candidatos e pelo público em geral é: a Maçonaria aceita mulheres? A resposta, no contexto estrito da Maçonaria Regular, é não. No entanto, essa resposta requer uma explicação histórica, filosófica e contextual para ser compreendida sem julgamentos anacrônicos.
A Base nos Landmarks e na Tradição
A Maçonaria Regular não exclui mulheres por misoginia ou crença em superioridade masculina. A razão é estritamente tradicional e jurídica, baseada nos Landmarks (os antigos usos e costumes imutáveis da Ordem).
Um dos Landmarks universais, reconhecido pela Grande Loja Unida da Inglaterra (UGLE) e por todas as Grandes Lojas Regulares do mundo, define a Maçonaria como uma fraternidade de homens. Esta definição remonta às guildas de pedreiros medievais (Maçonaria Operativa), que eram associações de ofício exclusivamente masculinas devido à natureza física e às condições de trabalho da época.
Quando a Maçonaria evoluiu para a forma Especulativa (filosófica), ela manteve essa característica como parte de sua identidade histórica inegociável. Alterar esse Landmark significa, por definição, deixar de ser considerado "Regular" pela comunidade maçônica mundial.
A Existência da Maçonaria Feminina e Mista
É importante esclarecer que existem mulheres maçons. No entanto, elas pertencem a jurisdições que não são reconhecidas como "Regulares" pela UGLE.
- Maçonaria Feminina: Potências compostas exclusivamente por mulheres (ex: Le Droit Humain em sua origem, ou Grandes Lojas Femininas da França).
- Maçonaria Mista: Potências que iniciam homens e mulheres em pé de igualdade (também chamadas de Maçonaria Liberal ou Adogmática).
Essas Potências são legítimas em seus próprios contextos e fazem um trabalho filosófico e filantrópico valioso. No entanto, por terem alterado o Landmark da iniciação exclusivamente masculina, elas não possuem tratados de reconhecimento com a Maçonaria Regular. Um maçom regular não pode visitar uma Loja mista ou feminina, assim como um membro dessas Potências não pode visitar uma Loja Regular.
A Participação da Família e das Mulheres na Vida Maçônica
A afirmação de que a Maçonaria Regular é uma fraternidade masculina não significa que as mulheres sejam excluídas da vida social e filantrópica da instituição. Pelo contrário, a família é a base do maçom.
Para integrar a família ao universo de valores maçônicos, a Maçonaria Regular criou e reconhece Ordens Anexas ou Corpos Paramaçônicos, que são abertos a mulheres (esposas, mães, filhas, irmãs de maçons). Exemplos incluem:
- Ordem do Arco-Íris para Meninas: Focada no desenvolvimento de liderança e valores para jovens.
- Filhas de Jó: Outra ordem jovem com foco em liderança e serviço comunitário.
- Ordem da Estrela do Oriente: Uma das maiores organizações fraternais do mundo, aberta a maçons e suas familiares mulheres, focada em filantropia e estudo simbólico.
Essas ordens possuem seus próprios rituais, governança e estruturas, mas mantêm laços fraternos com a Maçonaria Regular, permitindo que as mulheres participem ativamente dos valores e da ação social da instituição, sem violar os Landmarks da Loja Simbólica.
Respeito às Diferentes Jurisdições
A posição da Maçonaria Regular é de respeito mútuo. Ela não busca "converter" ou invalidar o trabalho das Potências femininas ou mistas, mas simplesmente mantém sua própria identidade histórica. Da mesma forma, espera que sua tradição de fraternidade masculina seja respeitada como um direito à preservação de seus usos e costumes ancestrais.